Por que tenho de crucificar a carne com suas paixões, se a salvação em Cristo é completa e perfeita?
Graças a Deus que a salvação que Ele nos dá, por meio da fé em seu filho
Jesus Cristo, é completa, perfeita e eterna. Ela é um dom de Deus ao
homem, oferecida gratuitamente sem que o homem faça nada para merecê-la
(Efésios 2.4). Uma vez verdadeiramente salvo, nada do que façamos pode
ocasionar a perda da salvação, pois somos guardados pelo poder de Deus
(João 6.37-39; 1 Pedro 1.5; Judas 24-25). Entretanto fomos salvos para
as boas obras, obras essas que Deus antecipadamente preparou para que
vivêssemos nelas (Efésios 2.10). Uma pessoa verdadeiramente salva
repudia os desejos da carne, por isso que Gálatas 5.24 diz que o crente
já crucificou sua carne. Entretanto, mesmo que ago
ra sejamos salvos, ainda temos duas naturezas: a velha, que enquanto
vivermos ela nunca será boa, e é por isso que precisamos mortificá-la, e
a nova (ou o homem interior), que foi dada por Deus. Essas duas
naturezas vivem em constante luta, como diz Romanos 7.22-25: “Porque, no
tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos
meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me
faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado
homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por
Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a
mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do
pecado”. Um crente mortifica sua a carne contrariando a vontade da velha
natureza e fazendo somente a vontade de Deus, Nosso Salvador. A ordem
de Deus para a nova criatura é: “Não ameis o mundo nem as coisas que
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cute; no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele;
porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência
dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do
mundo”. No contexto do versículo que diz que o crente já crucificou a
sua carne, Paulo encontra-se corrigindo a falsa doutrina que dizia que
os cristãos deveriam obedecer a Lei Mosaica para serem salvos. Paulo,
então, explica que o crente foi justificado em Cristo somente pela fé e
não pelas obras da Lei e, sendo livres do jugo da Lei, não precisavam
mais se submeter a ela (5.1). Entretanto, em 5.13, Paulo faz um apelo
para que os gálatas não usem da nova liberdade para dar lugar às obras
da carne, enumeradas em 5.19-21. Ao invés disso, o crente deveria
cultivar o fruto do Espírito (5.22.23). Cultivar o fruto do Espírito é
a evidência que alguém é um salvo (5.25) e já crucificou sua carne
(5.24), embora nele ainda habite a velha natureza. Isso também tem a ver
com os três tempos da salvação em Cristo Jesus: passado, presente e
futuro. No passado fomos salvos/justificados (Isaías 53.5-6; Romanos
8.1; 2 Coríntios 5.21; Colossenses 2.14; 1 Pedro 2.24), no presente
estamos sendo salvos/santificados (Mateus 5.8; Romanos 8.29; Efésios
1.4; Hebreus 12.14; 2 Tessalonicenses 2.13). Nesta fase é que a nossa
carne é crucificada, não para sermos salvos, mas porque somos salvos (se
alguém não está sendo santificado é porque sequer foi salvo). Por
último, no futuro, seremos salvos/glorificados. Mesmo com a salvação
efetivada e consumada na justificação (Romanos 8.30), historicamente ela
se dará no arrebatamento da igreja (João 5:28-29;
1 Co 15:42-44; 1 Tessalonicenses 4:17; 1 Coríntios 15:51-55; Apocalipse
21:4). Hoje somos libertos do domínio do pecado (Romanos 6.14), mas um
dia seremos libertos da presença do pecado e aí não precisaremos mais
lutar contra a carne, nossa velha natureza, porque ela não mais
existirá.

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